O Dito Pelo Não Dito é o novo espetáculo montado por presos da Colônia Penal Industrial de Maringá

O Dito Pelo Não Dito deixa a prisão para mostrar a arte dos presos

Depois de duas montagens baseadas em clássicos da literatura russa, novo espetáculo criado por apenados surpreende pela leveza e profundidade

 

No encerramento da Semana Cultural, foram realizadas na Colônia Penal Industrial de Maringá (CPIM) três apresentações da peça “O Dito Pelo Não Dito”, uma livre adaptação de contos populares, histórias mitológicas, canções folclóricas, apólogos, parlendas e poemas. A seleção das histórias, análise, criação de um script, montagem e ensaios aconteceram dentro da unidade prisional com a participação de pessoas privadas de liberdade (PPL).

 

A peça desmonta a lógica da hierarquia social e denuncia a exploração, evidenciando como, na morte, não há distinção entre o poderoso e o miserável.

 

As apresentações foram para os próprios presos, policiais penais e pessoas que trabalham na penitenciária, além de convidados, entre eles algumas autoridades, mas em breve deverão ocorrer fora do complexo penitenciário de Maringá, em locais como o Parque do Ingá,  Parque Alfredo Nyffeler, Casa de Cultura de Campo Mourão, Instituto de Educação Estadual de Maringá, Biblioteca Centro, Biblioteca Palmeiras, Teatro Universitário de Maringá (TUM) e durante a próxima edição da Festa Literária Internacional de Maringá, a FLIM.

 

Entre os convidados que tiveram o privilégio de assistir “O Dito Pelo Não Dito” em primeira mão estavam o secretário de Cultura de Maringá, Tiago Valenciano, a chefe do Núcleo Regional de Educação, Isabel Cristina Domingos Soares Lopes, a religiosa Ruth Tesche, que lidera o Ministério da Prisão da Igreja Adventista há mais de 30 anos, a defensora pública Adriana Teodoro Shinmi e representantes do Instituto Ambiental de Maringá (IAM).

 

Valenciano valorizou tanto o trabalho artístico dos presos que disponibilizou o Teatro Barracão para uma temporada de “O Dito Pelo Não Dito” aberta ao público, além de convidar a montagem para uma apresentação durante a próxima edição da Festa Literária Internacional de Maringá, a FLIM.

 

 

Leitura, reflexão e criatividade

O teatro entrou o sistema prisional de Maringá por meio da literatura. Um projeto da Polícia Penal do Paraná visava ao incentivo à leitura como meio de melhorar a cultura dos presos, ocupar a mente deles e ainda beneficiá-los com remição e pena, levou alguns presos a se interessar por encenar a história.

 

Com apoio de professores, voluntários, policiais, direção da penitenciária e da Regional da Polícia Penal, nasceu em 2023 a montagem de “Crime e Castigo”, baseada na obra homônima de Fiódor Dostoiévski, um dos maiores clássicos da literatura mundial.

 

O espetáculo deixou o presídio, foi apresentado no palco de teatro de Maringá e aplaudido em um festival de teatro de âmbito estadual. Tudo isto serviu de incentivo para outra montagem, desta vez baseada em “A Morte de Ivan Ilitch”, do escritor russo Liev Tolstói, que também foi aplaudida e elogiada longe dos muros das penitenciárias de Maringá.

 

“O Dito Pelo Não Dito” trilha o mesmo caminho, só que desta vez não está calcada em apenas um livro, sendo uma colagem de obras de diferentes origens, gêneros e estilos. Assim, além da prosa, entra também a poesia, a música e o humor.

 

“O teatro é uma das importantes manifestações culturais da humanidade, instrumento que leva arte, cultura e entretenimento às pessoas há milhares de anos, e está sendo importante também para nós, policiais, servidores e apenados do sistema prisional”, diz o diretor da Regional da Polícia Penal do Paraná, Júlio César Franco.

 

Segundo ele, o trabalho de estudar textos, elaborar scripts, ensaiar e apresentar se transformou em um importante instrumento na ressocialização e está mostrando à comunidade as capacidades, a sensibilidade e arte de pessoas privadas de liberdade, revelando ainda que essas pessoas estão se preparando para voltar à sociedade e contribuir com ela com seu trabalho e sua arte.

 

 

Adauto e Garbellini, os pais do “Dito”

Além da Polícia Penal, professores, o Conselho da Comunidade e os próprios presos, o sucesso dos espetáculos que nascem dentro das penitenciárias de Maringá é devido muito ao empenho dos professores e diretores Adauto Silva e Marco Antonio Garbellini, voluntários que abraçaram a causa e há anos ajudam presos a verem o mundo por outros prismas, despertando neles o gosto pelos grandes autores e o que pode ser lido nas entrelinhas dos clássicos da literatura, além de despertar nos presos a capacidade de criar mundos por meio do teatro.

 

Para os dois mestres, se um, apenas um, dos presos sair da cadeia melhor por causa do teatro, eles sentem que terão cumprido a missão que abraçaram. Valeu a pena? Tudo vale a pena se a alma não é pequena, dizem eles parafraseando Fernando Pessoa.

 

O preso Claudio vem se destacando como ator e mostra evolução a cada ensaio, a cada apresentação, é sério candidato a sair ganhando com o trabalho de Garbelini e Adauto. Ele agradeceu às pessoas que acreditaram nele, como Garbelini e Adauto, a irmã Ruth e a pedagoga Ivanir Jolio.

O Dito Pelo Não Dito, novo espetáculo teatral criado por custodiados, terá apresentações no Teatro Barracão em breve

O ator Cláudio tem sido bastante elogiado por sua interpretação Foto: Leonardo Oliveira

 

“O seu Júlio (Franco) conheceu o velho Claudio, e ele acreditou na minha transformação. Essa transformação aconteceu por meio do estudo, da leitura, da dedicação nas aulas, ajudando a mudar a minha forma de pensar. E eu comecei a entender que posso voltar a fazer parte da sociedade de novo”, disse emocionado.

 

 

Teatro é teatro em qualquer lugar

Como nos espetáculos anteriores, “O Dito Pelo Não Dito” começou pela leitura, seleção, elaboração, aulas de corpo, dicção, improvisação, jogos teatrais, tal como acontece nos grandes teatros do mundo e com os grandes atores, diretores, contra-regra…

 

A Oficina das Artes é parte de um projeto aprovado pela Secretaria de Estado da Segurança Pública do Paraná (SESP-PR) no final de 2024, em parceria com a Polícia Penal do Paraná (PPPR) e o Conselho da Comunidade de Execuções Penais da Comarca de Maringá (CCEPMA).

 

Para o diretor da CPIM, Silvino Molina de Sousa, é uma satisfação enorme para a unidade fazer parte desse projeto junto com o Conselho da Comunidade. Segundo ele, quem participa de teatro aprende. “Aprendem a cair e a se levantar. E, a partir de agora, vocês já estão de pé”, disse ao fim de uma apresentação.

 

Molina destacou também o envolvimento dos policiais penais e professores para que o projeto dê certo.

 

 

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