Morre o advogado pioneiro Jorge Haddad, que foi perseguido pela ditadura

Advogado Jorge Haddad, que foi perseguido pela ditadura, morre aos 97 anos

O advogado Jorge Haddad, que morreu segunda-feira, 3, aos 97 anos, era um dos mais antigos moradores de Maringá, mas fica na história também pela perseguição que sofreu durante a ditadura militar, assim como o irmão Salim, médico e proprietário do Hospital Brasília, que passou quase um ano como preso político.

 

Jorge era um dos 10 filhos do comerciante Nassib Haddad e de dona Regina, que chegaram do Estado de São Paulo em 1946, quando Maringá se resumia a uns poucos quarteirões na área hoje conhecida como Maringá Velho.

 

Entre seus irmãos, ficaram bastante conhecidos o médico Salim Haddad, o também advogado e cartorário César Haddad, que foi eleito vereador na primeira eleição – mas que não pôde assumir pelo fato de ser cartorário -, e o também advogado e professor Calil Haddad, que se destacou como diretor de teatro amador e hoje tem seu nome no principal teatro da cidade.

 

Em uma época em que o ensino em Maringá ainda se resumia a aulas na casa em que vivia a única professora do lugar, Jorge e os demais filhos de Nassib e Regina puderam estudar fora, do primário à universidade, e todos voltaram para Maringá.

 

No início da década de 1960, o jovem advogado trabalhou na organização dos primeiros sindicatos de trabalhadores de Maringá.

 

Com o golpe militar de 1964, ele foi perseguido pelo regime por estar envolvido com sindicalistas, fugiu da cidade e passou um ano escondida em casas de parentes em São Paulo. Já o irmão Salim não teve a mesma sorte: foi preso e torturado, permanecendo quase um ano nos porões da ditadura. Os dois irmãos foram processados pelo regime.

 

“O doutor Jorge Haddad foi um grande maringaense. Deixou um legado fecundo de compromisso com a democracia e a expansão da cidadania social”, disse o historiador Reginaldo Benedito Dias, que convidou Haddad a dar um depoimento à Comissão da Verdade.

 

 

 

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