Morreu nesta quinta-feira, 6, o centroavante Geraldão, artilheiro do Corinthians na conquista do Paulistão de 1977, quando o clube encerrou um jejum de quase 23 anos sem um título de expressão. Geraldo da Silva tinha 77 anos.
O falecimento foi anunciado pelo Corinthians, que publicou em seu portal uma nota lamentando a perda de seu ex-atacante, porém não informou a causa da morte.
Geraldo da Silva, o Geraldão Manteiga ou Geraldão do Corinthians, nasceu em Álvares Machado, no interior paulista, e chegou ao Parque São Jorge em 1975, credenciado pela artilharia do Campeonato Paulista do ano anterior, quando atuava pelo Botafogo de Ribeirão Preto ao lado de Sócrates. No Timão ele acumulou 91 gols em 280 partidas.
Na vitoriosa campanha de 1977, ele balançou as redes 23 vezes. O atacante foi decisivo na reta final daquele torneio, marcando o gol da vitória por 1 a 0 sobre a Portuguesa e contribuindo no triunfo por 2 a 1 sobre o São Paulo, sua maior vítima naquele ano, com cinco gols anotados em cinco clássicos.
Apesar de não possuir um estilo técnico refinado, Geraldão construiu uma profunda conexão com as arquibancadas graças à sua entrega em campo. Ele era conhecido tanto por perder gols fáceis quanto por marcar tentos improváveis nos momentos de maior tensão. O próprio ex-jogador lidava com essa característica de forma bem-humorada, afirmando em documentários que a raça demonstrava seu compromisso nas fases ruins e que o elemento surpresa era sua marca registrada.
Sua popularidade e carisma renderam até mesmo uma homenagem musical: em 1979, o cantor Bebeto compôs a música “Flecha Negra”, exaltando a presença imprevisível do atacante na área adversária.

Depois que encerrou a carreira, Geraldão continuou ligado ao Corithians e já foi várias vezes homenageado pelo clube e pela torcida Foto: Arquivo
O ídolo foi homenageado antes da partida do Corinthians contra o Internacional, na noite desta quarta-feira, quando venceu por 2 a 1 pelo jogo de volta das oitavas de final da Copa do Brasil. Na ocasião foi guardado um minuto de silêncio, a exibição de um vídeo no telão da Neo Química Arena e outras ações preparadas pelo clube em reconhecimento à trajetória do ex-jogador.
Na imprensa, a morte foi assunto nos principais noticiários da TV, rádios e sites de notícias, inclusive merecendo colunas dos cronistas mais importantes dos esportes e ex-jogadores, como os também ex-centroavantes corintianos Casagrande e Neto, além de Milton Neves.