O desejo descontrolado de apostar está levando jogadores a contrair dívidas impagáveis, chegando ao desespero e até ao suicídio
LUIZ DE CARVALHO
No próximo domingo, 16, completa um ano que foram criados os grupos de Jogadores Anônimos (J.A.) em Maringá e Londrina para ajudar homens e mulheres que sofrem com a maneira compulsiva de apostar. Várias pessoas estão conseguindo superar o desejo descontrolado de apostar.
Em Maringá, o grupo de J.A. se reúne todas as quartas-feiras às 20 horas em uma sala da Paróquia Divino Espírito Santo, na Avenida Pedro Taques, e em Londrina as reuniões acontecem todas as terças-feiras, das 19 às 21 horas, no anexo da Paróquia Sagrados Corações, na Rua Mato Grosso, 1167, Centro da cidade.
O acesso às reuniões é gratuito e é preservado o aninimato do participante, o que significa que tudo que ele ouvir ou falar durante a reunião não será revelado nem comentado fora da sala. No J.A. não há envolvimento de política e nem religião, não se preenche fichas e, se for desejo do frequentador, ele não precisará sequer revelar seu nome.
As reuniões objetivam que as pessoas se mantenham abstinentes do jogo. Somente pessoas com o mesmo problema estarão presentes e podem trocar experiências, falar de seus problemas com o jogo, desabafar e, se quiser, pedir conselho.
Além da troca de experiência, os jogadores que buscam apoio nos grupos podem seguir um programa de 12 passos importantes no processo de recuperação. Segundo membros mais antigos do J.A., o programa existe para o crescimento pessoal do jogador em recuperação. Afinal, o objetivo, além de ajudar a parar de jogar, é ajudar a pessoa a se sentir bem, mesmo consciente que seu problema com o jogo continuará existindo.

Foto: Arquivo
“Quem sofre com a compulsão pelo jogo é na verdade uma pessoa com uma doença incurável. Mas, é possível a pessoa conviver com essa doença e levar uma vida normal, mas se ele ou ela se descuidar corre sério risco de recair, voltar às apostas”.
Compulsão pode levar a dívidas
Segundo U., da coordenação de J.A. no Brasil, os grupos de Jogadores Anônimos estão presentes na maioria dos países, porém houve um aumento muito grande de grupos nos últimos cinco anos. Acredita-se que a procura por ajuda está aumentando devido à facilidade para apostar surgida com apostas esportivas e outras formas de jogos online. Com um celular e internet é possível acessar inúmeras bets e mesmo jogos clandestinas, o que significa que o celular para um apostador é um verdadeiro cassino 24 horas por dia.
“Hoje, as propagadas das bets ocupam boa parte dos horários da TV e massificam na internet, de modo que muitas pessoas sentem-se atraída para apostar. Os jogos podem ser uma diversão, mas há pessoas que são compulsivas e nem sabem disso. Os compulsivos tendem a voltar a jogar e perder o controle sobre sua forma de apostar”, diz U.

Jogo de azar ilegal e considerado um esquema de estelionato , o Jogo do Tigrinho tem levado pessoas de todas as idades a significativas perdas financeiras Foto: Internet
Geralmente, quando a pessoa não consegue controlar a vontade de apostar, ela acaba fazendo grandes gastos de dinheiro, muitas contraem dívidas para apostar mais e comprometem o orçamento familiar.
Jog-Anon: família também precisa de ajuda
A tendência é pensar que as pessoas que não conseguem parar de apostar e se afundam em dívidas por causa do jogo são fracas, não têm força de vontade. Para isto existem os grupos familiares, os Jog-Anon, formados por esposas, pais, filhos ou quaisquer outras pessoas que convivem com jogador compulsivo.
O Jog-Anon oferece apoio mútuo, compreensão e recuperação para familiares, cônjuges e amigos que sofrem com os problemas emocionais e práticos causados pela convivência com um jogador compulsivo. Essas pessoas vão entender, por meio da troca de experiência, que a compulsão é uma doença e assim, ao invés de condenar seu jogador, o familiar pode ser mais compreensivo e ajudar a criar um ambiente de apoio ao jogador.
Em Londrina e Maringá, os grupos de Jog-Anon têm reuniões nos mesmos dias das reuniões de J.A.