Ana Maria Gonçalves é a primeira mulher negra eleita para a Academia Brasileira de Letras

Ana Maria Gonçalves é a primeira negra imortal da ABL

Luiz de Carvalho

 

Um dia histórico na Academia Brasileira de Letras: depois de 128 anos de história, a instituição literária fundada por um escritor negro, Machado de Assis, elegeu nesta quinta-feira, 10, a primeira mulher negra, a escritora mineira Ana Maria Gonçalves, autora do celebrado livro “Um defeito de cor” (Record)

 

Ela vai ocupar a cadeira 33, que está vaga desde a morte de Evanildo Bechara.Ana Maria é mineira de Ibiá, 55 anos, obteve 30 votos. Em segundo lugar ficou Eliana Potiguara, escritora indígena, autora de “A Cura da Terra”.

 

A eleição de hoje da ABL foi considerado um dia histórico na história da academia por ter entre os candidatos mais bem votados uma mulher negra, seguida por uma mulher indígena.

 

Também concorreram à cadeira de Bechara os escritores Ruy da Penha Lobo, Wander Lourenço de Oliveira, José Antônio Spencer Hartmann Júnior, Remilson Soares Candeia, João Calazans Filho, Célia Prado, Denilson Marques da Silva, Gilmar Cardoso, Roberto Numeriano, Aurea Domenech e Martinho Ramalho de Melo.

 

 

Um defeito de cor

Ana Maria Gonçalves é uma das mais celebradas escritoras brasileiras das últimas décadas, autora de um livro que vem sendo considerado o mais importante desde o início deste século, “Um defeito de cor”, que conta a trajetória de uma menina nascida no Reino do Daomé e capturada como escrava aos 8 anos, até a sua volta à terra natal. O livro, multipremiado, inspirou o enredo da Portela para o carnaval 2024. A personagem principal é inspirada em Luísa Mahin, uma das lideranças da  Revolta dos Malês, 1835.

Um Defeito de Cor”: romance histórico antirracista – ARTE NO SUL

 

Luísa Mahin é mãe do poeta, advogado, abolicionista, orador, jornalista e escritor  Luis Gama, Patrono da Abolição da Escravidão do Brasil.

 

“É um dia histórico. É uma mulher negra que espero que entre na academia fazendo uma grande ‘descendência’. Nós temos aprendido tanto com o feminismo negro e a Ana é uma grande representante desse grupo de pensadoras, desse grupo de intérpretes do Brasil. É uma alegria para a ABL receber agora minha comadre — que já o era antes — e autora de um livro que desfilou na Sapucaí, é um dos livros mais importantes desses 25 anos”, disse Lilia Moritz Schwarcz, que entrou na ABL em 2023.

 

“[Ana Maria Gonçalves produz] uma literatura de muito fôlego, muita potência. A casa se sente agradecida a vida por ter nos mandado a Ana. Representa que estamos vivos, permanecendo ativos nesse contexto variado de diversidade, muitas e de todos os tipos, étnicas, culturais, as religiosas, etc”, disse Gilberto Gil, eleito para a academia em 2021.

 

 

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