Considerado um dos maiores autores de novela da história da televisão brasileira, o dramaturgo e escritor Benedito Ruy Barbosa morreu nesta terça-feira, 7, em São Paulo, em conseqûência de complicações de insuficiência renal crônica.
O corpo será velado nesta terça, das 15h às 21h, no Funeral Home, na Bela Vista, Centro de SP.
Em janeiro deste ano, Benedito chegou a ficar 19 dias internado no Hospital do Coração (HCor) para o tratamento de uma infecção urinária associada a um quadro de insuficiência renal crônica.
Conhecido por verdadeiras sagas, o dramaturgo construiu histórias que atravessam o universo rural brasileiro, exploram a diversidade cultural, com interesse especial na imigração italiana, e apresentam amores intensos.
O mais velho entre cinco irmãos, Ruy Barbosa nasceu em Gália, no interior de São Paulo, em 1931, e passou a infância na vizinha Vera Cruz, uma região de cafezais habitada por imigrantes japoneses e italianos.
Quando jovem, Benedito morou no noroeste do Paraná, trabalhou no comércio em Mandaguari e chegou a usar o Paraná como cenário em algumas de suas novelas, como em Pantanal, qe teve uma das protagonistas, Maria Marruá, morando em Sarandi.
Com a morte precoce do pai, precisou trabalhar desde cedo para ajudar a família. Ao longo da juventude, trabalhou como auxiliar em uma firma comercial, vendedor de verduras e faxineiro, até conseguir um emprego como revisor no jornal “Estado de S. Paulo”.
Meio rural como cenário
Sua estreia na televisão aconteceu em 1966, com “Somos Todos Irmãos”, na TV Tupi. Nos anos seguintes, passou por emissoras como Excelsior, Record e TV Cultura. Em 1971, escreveu “Meu pedacinho chão”, novela produzida por uma parceria da Cultura com a Globo e exibida por ambas.
Cinco anos depois, assinou com a Globo, onde deu início a uma sequência de sucesso na faixa das 18h. Nessa época, adaptou o romance de Ribeiro Couto em “Cabocla” (1979).
Em 1990, ao se transferir para a TV Manchete, Benedito escreveu “Pantanal”, que inovou ao utilizar locações externas e explorar a cultura e os mistérios do bioma brasileiro.
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Benedito Ruy Barbosa estava com problemas de saúde há alguns anos e em janeiro chegou a passar duas semanas internado Foto: João Miguel Júnior/TV Globo
Com o sucesso, retornou à Globo para escrever “Renascer” (1993), trama ambientada no interior baiano e marcada pelo duelo de gerações do coronel José Inocêncio. Ambas seriam refilmadas décadas depois, escritas por seu neto, Bruno Luperi.
Com “O Rei do Gado” (1996), Benedito abordou a rivalidade entre duas famílias de imigrantes italianos, enquanto discutia temas como a posse de terra e a reforma agrária.
Já em “Terra Nostra” (1999), retratou o drama dos italianos Matteo e Giuliana, separados ao chegarem ao Brasil no início do século XX.

Juliana Paes interpreta Maria Marruá em “Pantanal”, personagem que viveu em Sarandi Foto: Reprodução
Na versão cheia de cores da segunda obra, declarou que finalmente conseguiu colocar no ar ideias que a Censura havia barrado na primeira versão, durante a ditadura militar.
Em 2016, escreveu “Velho Chico”, ambientada na fictícia cidade de Grotas do São Francisco, no sertão nordestino. A novela trouxe um embate de gerações e a disputa por terra e poder no interior do Brasil.
Paraná nas novelas de Benedito Ruy Barbosa
Na década de 1950, quando conseguiu seu primeiro emprego como guarda-livros em uma empresa de São Paulo, o então adolescente Benedito foi transferido para o o escritório que a empresa estava iniciando no norte do Paraná.
Benedito Ruy Barbosa morou em Mandaguari, testemunhou os primeiros anos da cidade e viu o nascimento de cidades como Maringá, Sarandi e Marialva.
Esta experiência o levou a ter o Paraná como cenário em algumas de suas criações. Foi o caso da primeira fase da novela “Pantanal”, que teve a personagem Maria Marruá, a mulher que virava onça, que perdeu tudo o que tinha, inclusive filho e marido, em conflito de terra em Sarandi.
Na primeira versão da novela, na TV Manchete, Maria Marruá foi interpretada por Ângela Leal e na segunda, já na Globo, por Juliana Paes.

O personagem Tenório (Murilo Benício) fala com a filha Guta sobre Sarandi e outras cidades do norte do Paraná Foto: Reprodução
Outro personagem de Pantanal que teve relação com Sarandi e outras cidades paranaenses foi Tenório, na última versão interpretado por Murilo Benício.
(Com informações dos veículos Globo)
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