Morre o jornalista Marcelo Beraba, um dos criadores da Associação dos Jornalistas Investigativo, a Abraji

Morre Marcelo Beraba, referência em jornalismo investigativo

Morreu na tarde desta segunda-feira, 28, no Hospital Copa D’Or, no Rio de Janeiro, o jornalista Marcelo Beraba, aos 74 anos. Beraba descobriu um câncer no cérebro em março e chegou a passar por uma operação.

 

O velório será no memorial do Carmo, no Cemitério do Caju, na quarta-feira, 30, entre 12h30 e 15h30.

 

O jornalista de dois casamentos teve duas filhas, Ana Luíza e Cecília, e outros dois que a vida lhe trouxe, João e Olívia, que deram a ele os três netos por quem era apaixonado.

 

Marcelo Beraba é uma referência no jornalismo investigativo, trabalho que exerceu quando foi repórter da TV Globo, no jornal O Globo, Estadão e Folha de São Paulo.

 

Em todas as Redações em que trabalhou, Beraba deixou a marca inconfundível da organização e da integridade na busca pela informação, sem armadilhas apelativas. Parecia estar sempre um passo além da notícia.

 

Beraba foi vencedor do Prêmio Excelência em Jornalismo do International Center for Jornalists, foi um dos fundadores e primeiro presidente da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji).

 

A tarefa de guardião da ética no jornalismo, que tomou para si, era quase uma obsessão. Ocupou, por mais de dois terços de sua trajetória profissional, postos de comando em diferentes redações, como editor, ombudsman e diretor de sucursais e nessas funções desenvolveu técnicas meticulosas no planejamento de grandes coberturas e era extremamente rigoroso com a checagem de dados, muito antes da explosão das fakes news e das redes sociais. Nas cobranças por precisão era severo, mas nunca desrespeitoso, ao contrário, com frequência baixava o tom de voz.

 

 

Furo sobre as bombas do Riocentro

Ainda bem jovem, Marcelo Beraba deu um furo de reportagem que até hoje tem reflexos na política brasileira e serviu, naquele momento, para mostrar publicamente o método do regime militar.

 

Foi em O ano era 1981 e, apesar da anistia política de dois anos antes, o Brasil ainda vivia sob o regime militar quando uma bomba explodiu dentro do carro ocupado por dois militares do Exército no estacionamento do Riocentro, onde milhares de jovens acompanhavam shows de música do 1º de Maio, embalados pelo ideal de redemocratização.

 

A explosão matou, na hora, o sargento Guilherme do Rosário e feriu gravemente o capitão Wilson Machado, agentes do Doi-Codi. Beraba foi um dos primeiros repórteres a chegar ao local e acabou conseguindo, com um dos médicos que acompanharam o atendimento hospitalar do capitão Wilson, o filme com as imagens da cirurgia. As fotos, junto com a informação vinda de Brasília de que eram duas e não apenas uma bomba, serviram para comprovar que a intenção dos militares era forjar um atentado que seria atribuído a comunistas para evitar o processo de retorno ao regime democrático.

 

 

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