Considerado um dos grandes pianistas do Brasil, com prestígio internacional, morreu nesta sexta-feira, 22, o pianista Miguel Proença, aos 86 anos.
Ele tinha 86 anos e morreu de falência múltipla dos órgãos no Hospital São Vicente, no Rio de Janeiro, cidade onde vivia.
O pianista Miguel Proença foi uma das grandes atrações do projeto Convite à Música, da Secretaria de Cultura de Maringá. Pelo projeto, ele se apresentou em 2010 no Auditório Luzamor.
“Miguel foi uma das pessoas mais queridas que já conheci, respirava arte”, escreveu o cantor Márcio Gomes nas redes sociais.
“Foi sempre um amigo fiel, incentivador. Sua carreira foi brilhante como pianista clássico, mas amava a música popular. Suas gargalhadas estão presentes no coração de quem o conheceu. Você deixará muita saudade! Siga em paz, ao som das mais belas melodias”, homenageou o cantor.
“Foi o maior divulgador dos compositores brasileiros, com aproximadamente 30 gravações. Na sua casa conheci Nelson Freire, Maria Lucia Godoy, Edino Krieger, Mindinha, Villa Lobos, Bidu Sayão, e tantos outros”, publicou a produtora Gloria Guerra.
Na área da música popular, o pianista sempre privilegou grande músicos brasileiros, como Francis Hime, Chico Buarque e outros. Fez muito sucesso o trabalho que realizou com a atriz Bibi Ferreira, sua amiga desde a década de 1960, gravando para a Biscoito Fino o disco “Tango“.

Miguel Proença e Bibi Ferreira juntam suas habilidades para o belo disco “Tango” Foto: Reprodução
Nascido em Quaraí (RS), Miguel Angelo Oronoz Proença apaixonou-se pelo piano ainda na infância ao ouvir o som que vinha de um casarão. Tocou em bares, clubes e festas gaúchas e também nos mais prestigiosos palcos internacionais. Trabalhou com afinco para popularizar a música clássica no país.
Na juventude, estudou piano em Hamburgo e Hannover, na Alemanha. De volta ao Brasil, se estabeleceu no Rio e se concentrou em tocar compositores nacionais, como Alberto Nepomuceno, César Guerra-Peixe, Edino Krieger, Ernesto Nazareth, Oscar Lorenzo Fernández, Radamés Gnattali e Heitor Villa-Lobos. Em 2005, lançou “Piano brasileiro”, uma série de dez CDs que apresentam sua interpretação de autores clássicos.
Educador e gestor cultural, dirigiu a Sala Cecília Meireles em 1987 e novamente entre 2017 e 2018. Também comandou a Escola de Música Villa-Lobos e foi secretário municipal de Cultura do Rio entre 1983 e 1988. Nesse período, fundou a Orquestra de Câmara da Cidade do Rio de Janeiro. Proença ainda deu aulas no Instituto de Artes da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e na Universidade de Música de Karlsruhe, na Alemanha.
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