Esta história tem tudo a ver com a igreja, não uma igreja qualquer, mas s Paróquia Nossa Senhora das Graças, em torno da qual a cidade nasceu e cresceu. No momento em que o padre ia iniciar uma oração, pediu que os fiéis dessem as mãos. A mão mais próxima do Walter era a da Lúcia. Deram-se as mãos e nunca mais largaram e lá se vão 43 anos. De mãos dadas, Walter a Lúcia viram Sarandi crescer, participaram de tudo, transformaram um pequeno negócio em uma empresa sólida e participaram da sociedade e da política. Com tempo, mais mãos se juntaram, primeiro as dos filhos, depois as dos netos.
Essa história tem tudo a ver com a igreja, não uma igreja qualquer, mas aquela que deu origem à cidade de Sarandi, em torno da qual a cidade cresce até hoje. A Paróquia Nossa Senhora das Graças era uma igrejinha de madeira em 1981 e o Walter que deu a mão à Lúcia na hora da reza era o vizinho mais próximo da igreja. Ele morava bem na frente da igreja, a apenas alguns passos do salão em que a comunidade católica se reunia para as missas, casamentos, batizados e outros eventos religiosos.
O Walter é o Walter Volpato, que nasceu próximo dali, na Estrada Aquidabã quando Sarandi ainda não existia. Vindo de uma família de origem italiana, como tantas outras que migraram para o norte do Paraná para trabalhar na cafeicultura, ainda menino, ele viu a comunidade se formar, estudou na primeira escola, jogou bola nos campinhos das fazendas, viu os bailes da roça, mas ao chegar à adolescência tinha que procurar trabalho em Maringá ou em Marialva, cidades vizinhas.
Um dia ele perdeu o emprego e chamou os irmãos – ele era o caçula de 7 – para montar um negócio próprio. Juntaram o que tinham de dinheiro, fizeram empréstimo em banco e assim nasceu o Depósito Volpato, que vendia materiais de construção em uma cidade que estava em construção. O depósito ficava em frente à igreja e ele morava lá.
A moça que segurou na mão do Walter na missa, a Lúcia, também era de família de origem italiana e também veio do sítio. Os pais dela, seu Etore Carlis e dona Umbelina deixaram o sítio que tinham em Itambé e viveram morar em Sarandi para que os filhos pudessem estudar. A família foi uma das primeiras do Jardim Independência, numa época em que a região ainda não tinha luz elétrica e água encanada e as ruas eram uma calamidade.

No dia 1º de outubro de 1983, Lucia ed Walter se casaram na mesma igreja em que se conheceram e começaram a namorar Foto: Álbum da família
Essa história tem tudo a ver com a igreja em torno da qual começou quase tudo que existe em Sarandi, inclusive namoros, casamentos, novas vidas. Quando Lúcia e Walter se deram as mãos naquele 1981, Sarandi ainda era distrito de Marialva e o casal de namorados participou ativamente da luta pela emancipação da localidade. Walter Volpato, inclusive, fez parte da Comissão Pró-Emancipação e na primeira eleição lá estava ele como candidato a vice-prefeito na chapa encabeçada pelo pioneiro Manoel Birt.
Lúcia diz que a igreja faz parte da vida da família Volpato e de tudo que a família viveu nestes 43 anos de união. Foi lá, no mesmo local em que os dois jovens se conheceram e começaram a namorar, que foi selado o casamento no dia 1º de outubro de 1983; no ano seguinte lá foi batizado o primeiro filho do casal, o Walter Volpato Júnior, hoje arquiteto e urbanista. Depois vieram o Emerson e o Leonardo.

Juninho, Emerson e Leonardo foram batizados na mesma igreja em que os pais se conheceram e se casaram Foto: Álbum da família
Mas a família que começou num aperto de mão na igreja continua crescendo. A terceira geração começou com a neta Giovana, que aos 17 anos é estudante de Medicina; a Manoela, de 15 anos, a Valentina, de 10, o Pietro de 9 e o Antonia, que, aos 11 meses, é o caçula da família… por enquanto.
Desde que Walter e Lucia participaram da emancipação de Sarandi, o casal sempre participou da política. E de forma direta, pois Walter Volpato é o único político da cidade que participou de todas as eleições de Sarandi – com exceção da 2024. Em 2016, ele foi eleito prefeito da cidade em que nasceu, fez um trabalho que lhe garantiu a reeleição em 2020 com relativa facilidade. “Eu sempre quis contribuir com o desenvolvimento de Sarandi e o povo me confiou esta missão, que exerci com empenho e dignidade”, diz.
