Já está disponível no canal Do Zero ao Concreto, no YouTube, o segundo episódio da série “Só Quero Trabalhar”. Comandado pelo CEO da Construtora Hestia, Gustavo Selig, e pelo empresário da área de comunicação Leandro Herculano, o novo vídeo traz como tema central “A armadilha burocrática que espera todo empreendedor”, destacando o labirinto de exigências, certidões e prazos que travam os investimentos e retêm o desenvolvimento econômico no Brasil.
Se no primeiro episódio a série debateu a escassez de mão de obra na construção civil, o segundo capítulo mergulha no contraste entre o conceito teórico da burocracia e a dura realidade vivenciada por quem decide empreender.
Como lembram os apresentadores, teoricamente a burocracia deveria organizar processos e garantir igualdade; na prática, transformou-se em uma engrenagem morosa que paralisa negócios com exigências repetitivas e excesso de papelada.
“Embora hoje seja possível abrir um CNPJ em cerca de 27 horas, a rotina do dia seguinte é um verdadeiro teste de sobrevivência. São cadastros, obrigações acessórias e normas tributárias extremamente complexas que fazem as empresas gastarem milhares de horas por ano apenas para cumprir exigências fiscais e ambientais”, pontua Gustavo Selig.
Impacto direto na construção civil
O episódio dedica atenção especial aos gargalos que afetam diretamente o setor imobiliário e a construção civil, destacando etapas onde a burocracia gera atrasos bilionários e compromete a geração de empregos:
Prazos extensos de aprovação: Empreendimentos chegam a atrasar de 2 a 3 anos apenas para obter aprovações urbanísticas e ambientais.
Desarticulação de órgãos públicos: A falta de comunicação entre secretarias de Urbanismo, Meio Ambiente e Obras resulta em exigências e prazos conflitantes.
Morosidade nos registros: A falta de concorrência devido ao loteamento regional dos cartórios de registro de imóveis gera lentidão em momentos cruciais de regularização.
Atraso no habite-se (CVCO): Mesmo após a conclusão física do prédio (que costuma levar cerca de 24 meses), o processo de habite-se e individualização de matrículas pode ultrapassar 6 meses.
Trava nas SPEs: Sociedades de Propósito Específico criadas para obras pontuais levam anos para serem baixadas, gerando custos contínuos de manutenção contábil.
Para Leandro Herculano, esse travamento sistêmico gera reflexos negativos em toda a sociedade. “O excesso de travas desmotiva o investimento, retém capital parado e impede a geração de empregos e a arrecadação de impostos que beneficiariam os municípios e a população. É um ciclo nocivo que precisa ser debatido”, analisa.
A série “Só Quero Trabalhar” nasceu da proposta de discutir com dinamismo e realismo os dilemas do empresariado brasileiro. O público e profissionais do setor podem participar enviando comentários, relatos e sugestões direto na plataforma.
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